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Vila: quem te viu, quem te vê A Vila Madalena, tradicional bairro boêmio, recebe cada vez mais cafés e público diurno GILBERTO AMENDOLA, gilberto.amendola@grupoestado.com.br Tem gente que ainda não acredita, mas existe vida depois do nascer do sol na Vila Madalena. Nos últimos meses, em vez de bares, botecos e afins, outro tipo de estabelecimento vem ganhando adeptos no bairro mais boêmio da Cidade: o dos cafés. A reportagem do Jornal da Tarde foi tomar um cappuccino e bater um papo em quatro desses cantinhos: Café Pequeno, Grão Cereja, N’o Café e Ekoa - os dois últimos foram inaugurados há nove e três meses, respectivamente. Um dos fatores óbvios do ‘fenômeno’ é o endurecimento da chamada Lei Seca - afinal, o café está substituindo o chope no happy hour de muita gente. Mas a idéia principal dos proprietários dessas cafeterias é dar um toque europeu à região. Os cafés da Vila estão localizados geralmente em sobrados charmosos e bem decorados e têm um atendimento simpático. As opções de almoço e vinho não fazem feio. Eles também oferecem acesso à internet sem fio de forma gratuita - para que os clientes possam usar os seus laptops durante o dia. “Eu acho que o paulistano e principalmente o morador da Vila Madalena já está se acostumando com esse formato de café gourmet, um espaço para conversar, ler, trabalhar, tomar um bom café e até almoçar”, diz Maria Pia Dessewffy, 40, uma das sócias do N’o Café. Outra sócia do N’o, Luciana Sá, 36, lembra que, em outros bairros da Cidade, os moradores ainda preferem o café de padaria ou redes de fast food, como o Fran’s Café e o Starbucks. “Acho que em alguns lugares as pessoas ainda não associaram o café com essa pausa para relaxar e refletir. Não é à toa que escolhemos a Vila Madalena”, diz. E olha que a ‘pausa’ pode ser longa. Não raro, lugares com esse conceito recebem clientes que têm por hábito pedir um café expresso e passar duas ou três horas na mesa, sem consumir mais nada. “Eles são bem-vindos. Costumam ser clientes fiéis e trazem outras pessoas ao café”, avalia Maria Pia. O barista do Grão Cereja, profissional responsável por preparar e ‘tirar’ o café, Orlando Alves Coelho, 26, explica que lá o café é ‘espresso’ com ‘s’ e não com ‘x’ por esse mesmo motivo. “Expresso é o café rápido, sem preparo. O café ‘espresso’ é artesanal, feito de forma profissional. Sem pressa.” Mas, no quesito ‘relaxamento’, nada supera o caçula Ekoa. O local tem até uma rede para pensar na vida depois do cafezinho. “É um sucesso. Nossa proposta é transformar o café numa área de convivência”, conta Marisa Conca Bussacos, proprietária da casa. O proprietário do Café Pequeno, André Bertolucci, ressalta um ponto polêmico e importante para os seus clientes. “Enquanto o governador deixar, aqui ainda vai ser um lugar onde o cidadão vai poder fumar livremente, sem nenhuma cara feia.” De todos os lugares visitados, o estabelecimento de Bertolucci é o único a assumir essa posição. “Aqui a pessoal pode fumar e ouvir um tango de Gardel em paz”, brinca. Apesar do clima ‘paz e amor’, os cafés da Vila Madalena estão sendo invadidos pelos workaholics. Nem é preciso procurar muito para encontrar gente trabalhando, escrevendo teses e livros ou promovendo reuniões. “Às vezes, venho com o meu laptop aqui. Além de seguro, acho que o trabalho rende mais, o clima fica menos opressor. Também já fiz reuniões de trabalho. Tomando um cafezinho, a reunião passa mais rápido, fica mais agradável e informal”, argumenta a publicitária Alexandra Casaca, 40 anos, cliente do N’o. “Passo e-mail, faço ligações e decido muita coisa importante durante o cafezinho”, completa Renato Silveira, 50 anos, também freqüentador da casa. DIVIRTA-SE N’o Café. Rua Harmonia, 506. Tel.: 3032-4669. Café expresso: R$ 2,70 Café Pequeno. Rua Fradique Coutinho, 995. Tel.: 3913-7942. Café expresso: R$ 2 Ekoa. Rua Fradique Coutinho, 914. Tel.: 3032-7842. Café expresso: R$ 2,50 Grão Cereja. Rua dos Pinheiros, 507. Tel.: 3081-5369. Café espresso: R$ 2,50


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